Mogi das Cruzes, 30 de Setembro de 2026
Comércio vive pior momento na geração de empregos desde a pandemia
Varejo entra no vermelho em 2026 e acende alerta para os empresários do Alto Tietê
O comércio brasileiro entrou em uma zona de atenção. Pela primeira vez desde a pandemia, o setor apresenta saldo negativo na geração de empregos no acumulado do ano, mostrando que o ambiente para o varejo ficou mais desafiador em 2026.

Segundo levantamento do FGV IBRE, com base nos dados do Novo Caged, o comércio acumulou, de janeiro a julho deste ano, saldo negativo de aproximadamente 7,9 mil postos de trabalho. No mesmo período de 2025, o setor havia criado 125,9 mil vagas.
A diferença é expressiva: aproximadamente 133,8 mil postos de trabalho a menos em relação ao mesmo período do ano passado.
O cenário chama ainda mais atenção quando se olha especificamente para o varejo. O segmento passou de um saldo positivo de 44,1 mil empregos em 2025 para uma perda de 51,8 mil vagas em 2026.
O que está acontecendo nas lojas?
Para quem está atrás do balcão, o movimento é percebido no dia a dia.
O consumidor está mais cauteloso, o crédito continua pressionado e os custos das empresas permanecem elevados. Diante desse cenário, o comerciante passou a olhar com mais cuidado para cada contratação.
Não é que o empresário não queira contratar. Ele precisa ter segurança de que a venda vai sustentar o custo daquela contratação.
Salário, encargos, benefícios, treinamento e estrutura fazem parte da conta. Quando as vendas não acompanham os custos, a tendência é segurar novas admissões e buscar maior produtividade da equipe.
E o Alto Tietê?
O cenário nacional serve como um importante sinal de alerta para Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis.
O comércio é fundamental para a economia dessas cidades e tem forte participação na geração de emprego e renda.
Mesmo que algumas cidades ainda apresentem saldo geral positivo de empregos, o comportamento específico do comércio precisa ser acompanhado de perto.
O alerta não é para parar de contratar. É para contratar com planejamento.
O empresário precisa avaliar estoque, fluxo de caixa, expectativa de vendas, produtividade e necessidade real de mão de obra.
Final de ano será decisivo
Black Friday e Natal representam uma oportunidade importante para o comércio.
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil aponta expectativa de aproximadamente 130 mil vagas temporárias e efetivas no comércio e serviços para o final de 2026.
Ou seja, mesmo diante do cenário negativo acumulado, o varejo continua precisando de trabalhadores para atender ao aumento esperado do movimento.
A diferença é que o empresário está sendo mais cauteloso.
A contratação temporária aparece como uma alternativa para reforçar as equipes sem necessariamente assumir imediatamente um aumento permanente da estrutura de custos.
O emprego começa com uma empresa saudável
Para o Sincomércio Alto Tietê, os números devem ser encarados como um alerta para toda a cadeia do varejo.
O comerciante quer vender mais, investir, contratar e crescer. Mas precisa de condições para que a conta feche.
“O comerciante quer contratar. Mas primeiro precisa vender. O emprego é consequência de uma empresa saudável. Por isso, precisamos trabalhar para fortalecer o comércio, estimular o consumo e criar um ambiente que permita ao empresário continuar investindo.”
O momento exige atenção, planejamento e diálogo.
O varejo do Alto Tietê tem capacidade de reagir, mas não pode ignorar os sinais que vêm do mercado.
O recado para o lojista
Prepare sua equipe.
Revise seu estoque.
Cuide do caixa.
Planeje as contratações.
Prepare sua loja para a Black Friday e o Natal.
E, principalmente, acompanhe de perto os custos e o comportamento do consumidor.
O comércio está diante de um dos cenários mais desafiadores desde a pandemia.
O alerta está dado. Agora é hora de planejamento e ação.
SINCOMÉRCIO ALTO TIETÊ
Representatividade, informação e defesa do comércio varejista.
Fonte: FGV IBRE/Novo Caged e CNDL/SPC Brasil.
