Mogi das Cruzes, 18 de Agosto de 2026
Sincomércio alerta para avanço das recuperações judiciais e pressão financeira sobre o varejo
O cenário financeiro das empresas brasileiras exige atenção redobrada do comércio. Dados recentes mostram crescimento dos processos de recuperação judicial no varejo e refletem um ambiente de crédito caro, juros elevados, endividamento e pressão sobre as margens das empresas.
Segundo levantamento do Monitor RGF-BIZDOC, citado em levantamento divulgado nesta terça-feira (18), o número de empresas do varejo brasileiro em recuperação judicial passou de 819 para 986 entre junho de 2025 e junho de 2026, crescimento de 20,4% em 12 meses.

O cenário ocorre ao mesmo tempo em que o consumo apresenta sinais de perda de força. Embora o IBGE tenha registrado crescimento de 0,5% no volume de vendas do comércio varejista em junho, na comparação anual o avanço foi de 2,9%, enquanto o acumulado de 12 meses ficou em 1,6%.
Para o Sincomércio Alto Tietê, os números demonstram que o empresário precisa acompanhar cada vez mais de perto o fluxo de caixa, o nível de endividamento, o custo do crédito e a formação de preços.
Recuperação judicial não é realidade apenas das grandes empresas
Casos recentes de grandes redes varejistas chamam a atenção do mercado, mas o problema financeiro também atinge empresas de menor porte.
A avaliação do Sincomércio é que muitos pequenos e médios comerciantes sequer chegam a buscar recuperação judicial. Quando o negócio perde capacidade de pagamento e não possui ativos ou estrutura financeira para suportar um processo de reestruturação, muitas vezes a consequência acaba sendo o encerramento das atividades.
“Precisamos olhar para a recuperação judicial como um sinal de alerta. Antes de chegar ao Judiciário, existem problemas que precisam ser identificados: queda de margem, aumento da dívida, custo financeiro, estoque parado e perda de capacidade de geração de caixa. Para o pequeno e médio empresário, agir antes da crise se tornar irreversível é fundamental”, afirma Valterli Martinez, presidente do Sincomércio Alto Tietê.
Alto Tietê precisa acompanhar seus indicadores
O Sincomércio pretende acompanhar a evolução dos processos de recuperação judicial, extrajudicial e falências nos municípios de Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis.
A entidade entende que é importante construir um Mapa da Saúde Financeira do Comércio do Alto Tietê, utilizando dados oficiais e informações públicas para identificar a evolução das dificuldades empresariais na região.
O objetivo não é criar alarme, mas antecipar tendências e oferecer informação para que empresários, entidades e poder público possam compreender melhor a realidade econômica regional.
Crédito e juros continuam sendo pontos de atenção
O ambiente de juros elevados permanece entre os principais desafios para as empresas. Além da recuperação judicial, cresce também a utilização de mecanismos de recuperação extrajudicial. Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial mostram que, em 2026, até julho, 33 empresas já haviam recorrido a esse mecanismo.
Para o Sincomércio, a prioridade deve ser fortalecer mecanismos de renegociação, planejamento financeiro, gestão de caixa e acesso responsável ao crédito, antes que a empresa chegue a uma situação de insolvência.
“O comerciante precisa vender, mas também precisa ganhar dinheiro. Faturamento sozinho não resolve. Hoje, gestão de margem, estoque, despesas financeiras e fluxo de caixa são tão importantes quanto buscar novas vendas”, completa Valterli Martinez.
O Sincomércio reforça seu compromisso de acompanhar os indicadores econômicos do Alto Tietê e defender políticas que contribuam para a preservação das empresas, dos empregos e da atividade econômica regional.
SINCOMÉRCIO ALTO TIETÊ
Representação, informação e defesa do comércio regional.
