Mogi das Cruzes, 10 de Setembro de 2026
Panorama do Comércio acende alerta e reforça cautela do Sincomércio na negociação da CCT
Estoques elevados, juros altos, endividamento e perda de empregos reforçam a necessidade de segurança jurídica e econômica para o varejo
O Panorama do Comércio de setembro, publicação da FecomercioSP, apresenta um cenário de atenção para o comércio varejista. O levantamento aponta estoques elevados, juros altos, endividamento de famílias e empresas e queda na confiança dos consumidores.

Segundo a publicação, o excesso de mercadorias nas prateleiras do comércio paulistano atingiu o maior nível desde março de 2023. No primeiro semestre, o comércio varejista perdeu R$ 44,7 bilhões em receitas e o setor fechou quase 14 mil vagas formais. O endividamento das empresas também alcançou o maior volume da série histórica.
Para o Sincomércio Alto Tietê, os dados reforçam a necessidade de cautela nas decisões que possam elevar os custos das empresas.
CCT exige análise diante do novo cenário
Nesse contexto, a CENC – Comissão Especial de Negociação Coletiva vem acompanhando a negociação da CCT 2026/2027.
A CENC é o grupo responsável por estudar, analisar e subsidiar tecnicamente o Sincomércio nas negociações coletivas, avaliando os impactos jurídicos e econômicos das propostas para as empresas do comércio.
Entre os temas analisados estão jornada de trabalho, escalas, trabalho aos domingos, regras aplicáveis às trabalhadoras mulheres, custos da folha e as possíveis mudanças em discussão no Senado Federal.
O objetivo é que as decisões sejam tomadas com informação, planejamento e segurança jurídica.
Jornada e escala exigem atenção
O Senado Federal discute propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho, incluindo a possibilidade de redução das atuais 44 horas para 42 e, posteriormente, 40 horas semanais, além da discussão sobre a escala 5×2.
Uma eventual redução de 44 para 42 horas, mantendo o mesmo salário, representa aproximadamente 4,76% de aumento no custo direto da hora trabalhada. Na passagem para 40 horas, esse impacto direto chega a aproximadamente 10%.
Além do custo-hora, a mudança poderá exigir reorganização das equipes e das escalas para que as lojas mantenham seus horários de funcionamento.
No caso de 42 horas semanais distribuídas em cinco dias, por exemplo, a média seria de 8 horas e 24 minutos por dia. A forma de distribuição ou eventual compensação dessas horas dependerá da legislação aplicável e da negociação coletiva.
Trabalho aos domingos e mulheres
A CENC também acompanha as questões relacionadas ao trabalho aos domingos e ao repouso semanal das trabalhadoras, considerando a legislação e a jurisprudência aplicáveis.
Para o varejo, o tema é relevante porque o comércio precisa conciliar o funcionamento das lojas com as regras de jornada e descanso.
A análise também considera os possíveis reflexos das diferentes escalas sobre a organização das equipes, contratação e empregabilidade feminina, especialmente nas micro e pequenas empresas.
Negociação continua
O Sincomércio esclarece que as negociações da CCT não estão paralisadas.
A CENC continua acompanhando as tratativas. Entretanto, diante das discussões em andamento no Senado Federal, a estratégia é acompanhar a evolução do cenário legislativo e buscar maior clareza sobre as possíveis mudanças antes da definição final de determinadas cláusulas.
A expectativa é que, após o período eleitoral, haja maior definição sobre o andamento dessas propostas, permitindo uma decisão mais segura para empresas e trabalhadores.
Segundo o presidente do Sincomércio Alto Tietê, Valterli Martinez, a cautela é necessária diante do atual ambiente econômico.
“Não estamos parados. Estamos estudando, negociando e acompanhando o cenário. O comércio enfrenta juros altos, estoques elevados, consumidor mais cauteloso e empresas endividadas. Precisamos tomar decisões que garantam segurança jurídica sem comprometer a capacidade das empresas de manter empregos.”
Segurança jurídica e econômica
Para o Sincomércio, a CCT precisa considerar a realidade econômica das empresas, principalmente das micro e pequenas empresas, que possuem equipes menores e menor capacidade de absorver novos custos.
A entidade entende que segurança jurídica também é segurança econômica. Uma regra pouco clara ou que não considere futuras alterações legislativas pode gerar dificuldade operacional, aumento de custos e risco de passivo trabalhista.
Por isso, a CENC continuará acompanhando os indicadores econômicos, a legislação, a jurisprudência e as discussões no Senado Federal.
O objetivo é construir uma Convenção Coletiva que permita equilibrar os direitos dos trabalhadores com a sustentabilidade das empresas e a preservação dos empregos.
“Nosso compromisso é negociar com responsabilidade. Precisamos proteger o trabalhador, mas também garantir que a empresa tenha condições de continuar funcionando, investindo e contratando”, afirma Valterli.
SINCOMÉRCIO ALTO TIETÊ
Segurança jurídica para as empresas.
Preservação dos empregos.
Fortalecimento do comércio do Alto Tietê.
