Mogi das Cruzes, 18 de maio de 2026

Sincomércio do Alto Tietê alerta para riscos de mudanças sem análise técnica nas relações de trabalho em Brasília

O Sincomércio do Alto Tietê manifesta preocupação com debates e propostas relacionadas às mudanças nas jornadas de trabalho sem estudos técnicos aprofundados sobre os impactos econômicos, sociais e operacionais para trabalhadores e empresas.

A entidade entende que toda discussão sobre qualidade de vida e modernização das relações de trabalho é válida e necessária. Porém, alerta que medidas implantadas sem planejamento e sem diálogo com os setores produtivos podem gerar efeitos contrários aos esperados, principalmente sobre a renda dos próprios trabalhadores.

No comércio varejista, milhares de profissionais atuam com remuneração baseada em comissões, produtividade e metas. Em muitos segmentos, os períodos de maior movimento — como finais de semana, datas comemorativas e horários estendidos — representam justamente os dias de maior oportunidade de ganhos financeiros.

Segundo levantamento técnico realizado com base no comportamento operacional do varejo, uma eventual redução rígida da jornada pode gerar perdas estimadas entre 8% e 20% na renda variável de trabalhadores comissionados, dependendo do segmento e da dependência do fluxo presencial de clientes.

Setores como vestuário, calçados, móveis, eletrodomésticos, turismo, shopping centers e materiais para construção podem sofrer impactos ainda maiores em períodos sazonais, onde parte significativa das vendas ocorre justamente nos dias de maior movimento.

O presidente do Sincomércio do Alto Tietê, Valterli Martinez, afirma que o debate precisa ser feito com responsabilidade e análise prática da realidade brasileira.

“Muitas vezes se fala apenas na redução da jornada, mas pouco se fala sobre a redução da renda do trabalhador comissionado. No comércio, muitos profissionais dependem exatamente dos dias de maior movimento para complementar o salário e sustentar a família”, destacou.

Valterli Martinez também alerta para os riscos de decisões sem análise técnica aprofundada.

“O Brasil precisa parar de tomar decisões econômicas sem medir as consequências práticas. Toda mudança precisa considerar a realidade de cada setor, os impactos sobre os empregos, a renda das famílias e a sustentabilidade das empresas. Quando não existe planejamento, quem sofre primeiro é justamente o trabalhador”, afirmou.

O Sincomércio do Alto Tietê reforça que o comércio possui características próprias de funcionamento e que a negociação coletiva prevista na legislação trabalhista é fundamental para garantir equilíbrio, segurança jurídica e proteção tanto para empresas quanto para colaboradores.

A entidade defende que qualquer mudança nas relações de trabalho seja construída com diálogo, responsabilidade técnica e participação efetiva dos setores produtivos, evitando medidas que possam comprometer empregos, renda e competitividade econômica regional.